domingo, 25 de maio de 2008
SP vive boom de casas rachadas
Um raio dificilmente cai no mesmo lugar. Mas parece 'perseguir' uma família paulistana. Desde os anos 30, a aposentada Zilda Durante Zamariola morava numa casa térrea com jardim na Rua Capri, em Pinheiros. A cratera do Metrô, em fevereiro de 2007, trincou as paredes onde ficavam as fotos da família. Semanas após o acidente que matou sete pessoas, dona Zilda alugou um sobrado na tranqüila Rua Eugênio de Medeiros, também em Pinheiros. A lavanderia, porém, agora é um grande buraco. O box do chuveiro do banheiro e a garagem ruíram. E, mais uma vez, ela está desabrigada.'A parede rachou inteira, o solo começou a abrir... Parece que temos azar, né', diz sua nora, Marcia Rochel Zamariola. A falta de sorte, no entanto, não pode explicar sozinha o acidente. Essa e outras 28 casas da rua foram afetadas pela construção do WT Nações Unidas, luxuoso condomínio empresarial com duas torres e mais de 80 mil metros quadrados de área, que será entregue no segundo semestre. Para a construção de quatro subsolos de garagens, engenheiros rebaixaram o lençol freático, procedimento normal em obras de São Paulo. Mas o solo da região, uma mistura problemática de argila e areia, se reacomodou e causou as trincas nas casas. 'Quando vi as rachaduras, lembrei na hora do metrô', diz Marcia. 'E achei que tudo ia cair.'Seria apenas infelicidade se não fosse uma cena recorrente na cidade que lança mais de um prédio por dia. Segundo levantamento do Estado com ajuda do Ministério Público Estadual, pelo menos outras 25 vias paulistanas apresentaram casos semelhantes nos últimos dois anos. A Prefeitura, que nem sequer conta com um mapa do subsolo da capital, não tem legislação para disciplinar a atuação das construtoras em relação ao subterrâneo. E o resultado aparece nas paredes.A WTorre, que está construindo o WT Nações Unidas, afirmou em nota que antes da obra 'foram realizadas as necessárias e recomendadas análises para avaliar possíveis impactos no entorno'. E criou um grupo para acompanhar impactos nas casas próximas e manter com os proprietários 'relação aberta e transparente'. 'Em função dos problemas ocorridos, foi solicitado que cada morador/proprietário fizesse orçamento dos gastos necessários à adequada reparação: a WTorre pagará o valor atualizado monetariamente, sem ressalvas, e os responsáveis pelos imóveis contratarão diretamente empresas que tiverem selecionado para execução dos serviços. E ainda terão direito a três meses de auxílio moradia (enquanto durarem as reformas), além de despesas pagas para as mudanças.' O Estado de São Paulo.
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